quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Perdoa...

Cristo-Redentor/ Rio de Janeiro/Brasil
Através de toda a imperfeição do meu mundo          
Entra e dulcifica esse mundo.

Possa a eterna juventude deste Planeta
Voltar a florescer.

E das cinzas da crueldade
Possa reviver a terra que pensei conhecer.

Deixa que a natureza agredida, queimada
Se transforme no amor e na compaixão.

Deixa que Te peça misericórdia
Pelos que estando vivos deixaram de viver.

Deixa que acompanhe as minorias
E sinta as multidões que clamam.

Deixa que transforme o tempo nublado
Em luz clara e manhãs soalheiras.

Deixa que Te veja
Nos meus irmãos perdidos.

Deixa que Te encontre nos deserdados
E nos esquecidos.

Deixa que o Teu amor
Me envolva e me acalente

E limpe a minha vida
Imperfeita.

Deixa que o Natal envolva a terra
A toda a hora, a todo o momento.

E não deixe Nunca de ser Natal
Nos lugares mais escondidos e indiferentes.

E vem aos pontos mais obscuros
Dos corações perdidos.

Perdoa, mas vem!!!...

Maria Luísa Adães

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CANTO!...

Ilha Bela / São Paulo/ Brasil
O vento canta                 
Uma canção distante

Levanta a areia da praia
E tudo rodopia à sua volta

Naquelas tardes quentes
De águas tão frias...

Brilhantes
Cantantes
Coloridas
Da cor do dia.

Leva para longe a nostalgia
Deixa um areal diferente
E sinto que caminhas
Ao som desse vento.

A areia ondula levemente...
Espero a tua canção de amor
O teu abraço com calor

E depois,
Possuis este corpo
Sedento de ti.

A porta reabriu no horizonte
Depois de tanta dor
Que te levou de mim

Te esperei
Te visionei
Nas loucuras deste amor.

E me entreguei
E tu entraste em mim
E eu gritei a beleza da manhã
Que é tua...

Numa neblina só minha
No teu rosto amado!


Maria Luísa Adães

sábado, 24 de novembro de 2012

Quando Te leio....

Imagem Internet
Há poetas escondidos      
Por detrás das cortinas

Há místicos escondidos
E disfarçados nos poemas.

Há luz quando a noite
Nunca mais termina.

Há clareiras que se abrem
Como um caminho incerto.

Há estrelas que se mostram
E não são verdadeiras.

Há neblinas que descem
Em horas incertas.

Há certezas
Que nada têm de verdade.

Há horizontes que se mostram
Aos olhos nublados.

Há esconderijos
Fechados a sete chaves.

Há um canto
Quando as palavras me faltam.

Há uma floresta
Que convida ao destino.

Há um disfarce                                                                            
A cada bocado de folhas frias.

E a peça deixa de ser representada
E as cortinas se correm
E não deixam ver nada.

Quando Te leio
Sem saber nada de Ti
Sinto uma vontade forte
De perguntar -  porquê?

Mesmo sem resposta
Te continuo a chamar
Em todos os recantos da Terra.

Ó Deus do meu pranto!


 Maria Luísa Adães

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quimera...

Internet/ Georgia O´ Keeffe / 1927

Parei 
A uma porta aberta

Entrei na descoberta
Dessa porta

E me parecia
Feita de alegria.

Pensei, de imediato pensei,
Eu vou viver para sempre

E vou amar para sempre
E ninguém vai morrer na minha vida,

Nem eu
Nem os outros...

Eu tinha encontrado                                                                            
O Palácio da Quimera!

A minha mente ocupada e submersa
No meu próprio Eu

Viu a cidade corrida
Que não dorme
E nunca está cansada.

Razões muito fortes
Me levaram
E eu esqueci essas razões
E entrei pela porta encantada.

Quem era eu
Qual o meu nome
Alguém de uma história
Mal contada?

E o amor que deixei
E o avião que te levou
Para o outro lado do Oceano

Onde estava
Todo o teu canto de amor?

E fiquei olhando a quimera do meu sentir
Da minha mente absorta
E louca

E dancei a mesma dança
Como se fosse criança.

Maria luísa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não há tempo!

http://stampsbrowneyes.blogspot.pt

Oferta e o meu agradecimento Maior!
Maria Luísa

Tudo conduz ao esquecimento                     
A simplicidade ilude
Os espaços vitais do amor.

Não há tempo                                   
E a falta desse tempo
Não mata a ânsia
Das coisas que ficaram por dizer.

Só resta a ilusão
E assume sua presença
Sem presença.

Conhecemos a vida
E conhecemos a morte do outro
Nunca a nossa

Quando ela é a única certeza
Que recusamos
E a habitante do futuro.

A porta reabriu
E mostrou o horizonte
E tu entraste,
Pronto a partir.

Senti o pulsar da tua vida
O teu canto de amor
E tu ficaste fora
E eu dentro.

Estamos de partida
E não temos tempo
À nossa frente
E eu estou perdida

Porque amei a vida
Me agarrei a ela

Como se para ela
Eu fosse diferente
E não sou
E tu não és.

E temos de dizer adeus
E fechar a porta
Que se entreabriu
E  mostrou o horizonte...

Perdemos o tempo, meu amor
E não temos mais tempo!...


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Silêncio

Estou tão perto do silêncio
Maria del Carmen e a Magia das Rosas.
Oferta

Que me confundo com ele...

Esbocei o arquétipo
Distorcido
Perdido
Alterado

Pelos espelhos prateados
Partidos, gravados,
Num tempo simulado.

Olhei
E perdi-me nesse olhar

Amei e te senti rejubilar
Pela minha forma de dar,

Mas me cansei
Do rumor do amor
Da voz que sonhei

Só te falta aceitar
http://phenixbittencourt.blogspot.com.br

Oferta aos "7degraus"
Tal como sou, tal como digo.                                   

Pára e fica no tempo
Deixa-me olhar...

Com aquele olhar insensato
Do amor que te dei.

Sou um poeta
Que nunca acabou de cantar
Magoado
Perdido
Esquecido.

Espera por mim um dia,
Mas devagar sem devaneios constantes

De amores impossíveis
Desmedidos
http://perfumesepalavras.blogspot.pt

Oferta
Absurdos
Irreais.

Meus olhos fixam o universo
Meu coração pára no deserto
De antigos esplendores.
                         
Maria Luísa
                                                                                       




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Transformar

Oferta/ Mis carícias del alma/ Com ternura agradeço

Maria Luísa
 
 É possível transformar o mundo
Fazer Voar as flores
Respirar o aroma cândido
Fazer voar animais, fadas e duendes
E dar um mundo quente de ternura?

É possível?

Fazer voar mentes absortas
E pensamentos sombrios
E dar-lhes vivacidade sem sombras
Se eu vejo erva rasteira
Em planícies longas.

É possível?

Fazer parar a saudade
Do que não ouço e não vejo
E do que vi em tempos passados?

É Possível?                             

Estendo meu corpo na areia
Muito próximo do mar
Olho as nuvens e seus arabescos
Habitantes do espaço etéreo
Por onde algumas vezes passo
E vou deixar de passar...

Ou eu peço um mundo a transformar
Numa espécie de magia só minha
E não tenho quem me acompanhar?

É possível
Que tudo seja inventado
E desejado por mim
E eu tenha entrado num mundo
Sem clarões e sem jardins?

É possível?

Talvez tudo isto seja um erro
Talvez não exista erro
Mas exista para mim.

É possível
Eu escrever páginas em branco
E estar iludida quanto a mim?

Beija-me em silêncio
E ninguém interfira
Se tudo quanto escrevo
Não transforma o mundo, nem a mim...

Mas quero transformar o mundo
Pretendo mudar este viver
E que ele seja
Eternamente nosso
E dos outros!...

E se não posso...

Continuo a mentir
Quando digo,
Eu vivo...

Maria Luísa Adães



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu Vivo...

Prémio de Sor. Cecilia Codima Masachs

A vida do poeta
Tem um outro ritmo.

Na fragilidade desse mundo
Eu vivo.

Na apatia dos ruídos da rua
Eu vivo.

Onde o silêncio murmura
E as rosas se desfolham
Eu vivo.

Na solidão das noites caladas
De vidas perdidas
Eu vivo.

No carpir das mágoas contidas
O tempo se dissolve
E eu vivo.

Na saudade antecipada da partida
Eu vivo.

Persigo há anos um sonho
Que nunca vou alcançar,
Mas vivo.

Piso a terra abandonada
Olho o céu enegrecido
E vivo contigo.

Volto ao princípio de tudo
E a noite se ilumina
Com outra claridade
E duvido se vivo.

Será que tudo emudeceu
Será que os céus estão vazios
Será que há vozes?

Entrei sem entrar
Pensei sem pensar
E representei.

Que tenho feito na vida
Se represento momentos vividos
E não sei meu nome...

Tenho pedido por mim
E por ti a todas as horas
Que passam e fogem
Aos meus pedidos.

E continuo a escrever
Sem me mover
Do mesmo recanto
Onde nasci.

E digo que continuo a viver
E minto quando digo,
Eu vivo!...

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

OUTONO


Imagem Internet


Sensual e ardente
Este Outono.

Onde o silêncio sopra
E as rosas se desfolham

Onde o pranto se espraia
Em lágrimas pungentes

Onde teu corpo descansa
E tua alma se prende.


 Vesti-me de vermelho
E te deixei entrar

Deixei que possuísses este corpo
E acariciasses esta alma.

E escrevi palavras
Em páginas em branco.

Dancei
Escutei
Amei
Lutei

E me despi
Como as árvores se despem.

Te acariciei
Como nunca o tinha feito

E gostei do odor desse corpo
Deitado no meu.

Tu foste o Outono
Tu és o Outono

Mas um Outono diferente
Despido e ardente...


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acabou...


Internet/ Salvador Dalí
Pode escrever
Pode suplicar
Pode implorar
Pode chorar.

Em qualquer lugar
Te vou encontrar.

No silêncio
Onde rosas se desfolham
No pranto de lágrimas
Onde meu corpo descansa
E minha alma se prende.

Não vou esquecer
Este desejo de amar,
Mas vou morrer...

E sou um poeta
Que nunca deixou de cantar!
Maria Luísa

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Meridiana

Imagem Internet
Mergulhar na escuridão
Mar branco e liso
Lugar de pensamento puro.

Não ter tempo a passar
Não ter acordes finais
De um prelúdio
Ainda por tocar.

Tocar sinfonias irreais
E falar com palavras
Inventadas
Ultrapassadas
Nunca comentadas
E amar.

Fazer de mim
A própria solidão
E no meu palácio
Habitar e deixar
De me pertencer.

Não ter medo
De quem entrar
E mergulhar
E respirar
Sem morrer.

Que ninguém me procure
Que ninguém me engane.

Pedi ao vento
Pedi ao ar
Pedi aos lamentos
Que ouvi no mar.

Não tinha mais
A quem me acolher.

Segmento de reta
Num vértice
Ainda por nascer.


Maria Luísa Adães

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

E disse adeus...

Imagem internet
Afastei-me dos lugares que amei
E disse adeus...

Aromas
Sons
Cores
Caminho
Família
E os amigos
Que nunca encontrei.

E acabei por amar outras terras
E outros lugares
Troquei minha vida
Por ti
E disse adeus
Ao outro adeus
E minha exixtência se tornou num adeus.

Não há dúvidas que morri
Há tantas formas de morrer.

E comecei a gostar da solidão
E comecei a gostar da minha sombra
E comecei a gostar das outras sombras.

Mas em cada caminho me acorrentei
E ao teu amor me entreguei.

E enquanto te amei
Tudo esqueci.

Sensual e mística
Caminhei voluptuosa
De forma sinuosa
Nas asas do teu vento.

Gostei do teu abrigo
Da tua música ao entardecer
Dos teus beijos únicos...
E tu sabes beijar!

E com o adeus
Sempre presente
A recordar
O primeiro adeus.

Te amo!

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

INFINITO...



Imagem Internet
  Olho o Infinito austero
  Que se mostra
  E se esconde na imensidade.

Se veste de mistério
E vive como mistério.

Fugidio e imponente
Envia para a terra
As coisas incertas.

Enlouquece pessoas e coisas
E nunca se conhece
E eu vejo linhas geométricas.

Só isso se vê!...

Procuro a linha
Que não foi descoberta
As partículas incertas
E as escritas
No buraco vazio.

Não vejo nada
E o que vejo não é verdadeiro!

Desiquilibra-me
No equilíbrio do que sou.

E talvez nunca lamente
A partida.

Tantas coisas que não viram
Meus olhos
Tantas coisas que não ouviram
Meus sentidos.

E gostava de ter visto
E ouvido
E sentido
E amado.

Montanhas azuis escuras
Verdade
Azuis escuras.

Não há planície
Nem doçura
Não há.

Mas ao longe
O mar murmura...

Maria Luísa Adães

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apenas tu!...

Imagem Internet

 Apenas tu existes
No meu dizer de poeta
Apenas tu me chamas de poeta
Apenas tu sabes que sou poeta
Apenas tu...e ninguém mais.

Só a hora da solidão
Para a inquietação do poeta.

Só a hora do amor
Para o desabrochar do poeta.

Só as horas lentas e caladas
Representam o poeta.

Tudo o resto é fantasia
Representada nas horas incertas.

Assimilar as horas
Não abrir as cartas
Não ler o diário
Perseguir sonhos de outras eras
Roubados na terra.

Pelos que sendo poetas
Se deixam perder
Nos sonhos sonhados
E nunca encontrados
No mistério da vida.

Só tu existes
No meu dizer de poeta
Só tu és o inatingível
Nas horas derradeiras.

Frágil como as sombras
No declínio do amor
No clamor sem eco
Nos sons do universo.


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Caminho...

Imagem Internet
Há quem não tenha alma
Há quem não tenha mistério
Há quem seja sempre igual
Num viver desigual.

Quietude da noite
Desaparecendo na sombra
Dessa mesma noite.

O caminho não é fácil de andar
Nunca encontro
Caminhos fáceis de andar.

Eu fui a estrela
Entre a nuvem, o negro e o mar
Fui...e deixou de ser.

As árvores falavam
Se entrelaçavam
Como se fossem voar.

Os fantasmas perdidos
Choravam
Não se reencontravam.

Figuras estranhas tocavam em mim
E eu esperava por ti
E tu não voltavas para mim.

Me deixaste num caminho
Onde me convidaste a entrar
E fugiste de mim.

A minha sombra caminha devagar
Eu caminho sem ti
À frente dela...

As palavras vêm em segredo 
Sem qualquer medo
E se deixam apanhar...

E eu as apanho no ar!...


Maria Luísa Adães

terça-feira, 17 de julho de 2012

Ilusão I

Imagem Internet
Te encontrei um dia
Me encantei por ti
Por tudo o que não dizias.

E no tempo a passar
Eu fui a ilusão
Que tu não pressentias.

Talvez fosse um contraste
Mal entendido,
Um tempo gravado
No próprio tempo.

Espero pela alvorada
Espero que o longe fique azul
E troco minha existência.

Atravesso o Oceano
Infrinjo todas as regras
Canto todos os canto
Sem saber cantar.

Entro no palco das nuvens
Represento a minha vida
E volto de novo sem voltar.

Mas fui a ilusão
Que nunca esperaste
Encontrar!

Aquela
Que nunca soubeste amar
A que canta sem saber cantar.

E nos afastamos sem dizer
E não voltamos sem saber
Quanta ilusão se escreveu.

Mas se voltei...
Foi por nunca ter partido!...


Maria Luísa

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Noutro lugar...

By Kiug
Aromas, sons e cores
Mar, serras e árvores
E eu...

A música do entardecer
Na sua beleza já nascida
E a solidão do esquecer.

A luz do esquecimento
Próximo da partida
As mensagens ocultas, perdidas.

Os meus sonhos lembrados
Ocupando uma vida
E a minha procura de ti.

Ninguém me ouvia
E eu sentia a falta desse ouvir
Que tanto mal me fazia.

E quem nos entende
E quem nos ouve
E quem nos ama?

Não sabemos...
Apenas o mistério predomina
Nos últimos instantes.

Ousadamente me dispo
E me olho ao espelho
E te vejo dentro do espelho.

Tu existes para meu deleite
Ou és apenas parte do sonho?

Assim somos nós
E por vezes não somos
Somos todos os outros!...

Te amo!

Maria Luísa

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Apenas eu...

Oferta / Sor. Cecilia

Despida de cansaços
De dores e amarguras
Eu flutuo no espaço
Nua.

Numa outra dimensão
Eu vivo
Enquanto escrevo.

Sinto no ar a diferença
O mar tomou a cor do Infinito
As águas mais azuis e frias.

As nuvens correm
Minúsculas e brancas
E eu canto louvores ao tempo.


 Que procuro mais?
Se nada encontro igual
A este instante de ritmo diferente.

Enleei-me em ti
Dei voltas e voltas
Para me libertar de ti.

E o momento se tornou suspenso
Quando caminho na terra
E atenta fico
À incompreensão dos outros.

O triste é verdadeiro
Misterioso e sublime
Quando entra nos redemoinhos do Passado
E caminha nas estradas do Presente.


Maria luísa

terça-feira, 19 de junho de 2012

NUVENS

Nuvens modeladas
Chuvas paradas
Amores encontrados
Músicas não tocadas
Morte a sorrir.

Mar ondulado e branco
Tapando a terra ao meu lado.

Um outro céu
Um outro espaço
Um outro canto,
Na subida súbita
Do instante.

Caminho nas nuvens
Ilhas dispersas
Figuras diluídas
Solidão estranha
Num mundo pintado
E desenhado.

Tempo de amar
Tempo em que se não diz
Vamos amar!

O amor é inútil
E deixou de ser como era,
Mas sempre pronto a fugir
Quando menos se espera.

O pensamento é triste
A amizade insuficiente
E tudo está ausente
Num baralho de cartas
Inexistente.

Os olhos não choram
O coração deixou de bater
Os ouvidos deixaram de ouvir,
Estão numa dimensão diferente.

Mas amar-te-ei sempre
Estarei sempre contigo
Se tu estiveres sempre comigo.

As nuvens não me impedem
De te sentir
Mesmo sem te ter.

E importa é o sentir 
Mesmo sem viver!


Maria luísa

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tu és...

Gloria O´Keeffe / Black Iris/ Internet
Tu és o maior encanto da minha vida
Por ti estou espalhada no tempo
Não no tempo convencional.

Tu sabes quem sou
Me conheces melhor do que eu,
Mas não sabes quanto sofro
Por ser como sou.

Não sabes! E eu não quero que saibas
Quero que me sintas feliz
Num lugar tropical
Tão a meu gosto
E me ames, como tu sabes amar.

Nada é suficiente para mim
Reconheço o erro de ser assim
E quero mudar tão rápido                                                                                  
A chamada bola de cristal.

Não vou continuar neste lugar
Nem sei onde procurar o lugar.

De tanta beleza que me tem sido dada ver
Eu não sei escolher onde vou ficar.

Sem mim tu nada és e eu sei disso,
Mas ainda não sei se sou real.

Me amas demais e esperas tudo de mim,
Mas é tão difícil viver assim...

Fico enquanto me pedires
Sem saberes que me pedes.

Enquanto traçares linhas complexas
No ar e no vento
E te enredares nelas junto a mim.

Tu és alegre e eu sou triste
Vivi dentro do tempo mais rápida do que tu.

Compreendi as razões da minha vinda
E tu nada sabes dessa vinda
Pois estás junto a mim.

Eu sou a muralha que te dá guarida
E ainda não sei se tu és a verdade
Ou uma mentira minha.

E tudo quanto digo
Seja o silêncio da noite
A quietude dessa noite
Desaparecendo na sombra
Brusca, dessa mesma noite.

São as vozes que encontro
Espalhadas no tempo...

Maria luísa

terça-feira, 29 de maio de 2012

ROSAS

Te pedi rosas
Ausências e cegueiras
E pedi amor.

Nascentes que eu pressenti
Rios que correm por mim
E um céu de princípio e fim.

Espanta as sílabas tórridas
Submerge-me nas tuas ondas
Enterra os meus temores.

Olha-me e esconde-me
E de noite fecha minha boca
E ao nascer da aurora oculta-me.

Faz-me descer aos teus ocasos
Leva meu olhar
Se outros me olharem.

Proíbe o meu pranto
Ensina o amor sem quebranto
Até me perder no campo.

Dilui-me no vinho dos Deuses
Segura meu cálice de vate
E bebe-me sem pressas.

Já não suspiro por tempos futuros
E nada vou dizer a quem passa
E por não dizer, talvez te venha a perder.

Eu já perdi muitas coisas
Que me foram tiradas
Por gente sem graça.

Que a nossa história a dois
Continue a viver
A encher nossas noites de prazer.

Mas te peço rosas
De todos os tamanhos
E de todas as cores.

Isso eu peço e continuo a pedir!...

Maria Luísa Adães

domingo, 20 de maio de 2012

Espelho...

Eu vi um espelho
Eu estava refletida nele.

Dentro do espelho estavas tu
Com teu olhar penetrante e nu.

A tua sombra diluía o fundo
E eu te via para lá do mundo.

Tu estavas aprisionado no espelho
Eu estava aprisionada fora do espelho.

Os mundos, meu e teu, se espelhavam
Naquele espelho que tolhia meus afagos.

Os caminhos assombrados
Por sombras que vagueavam.

Nua me encontrava e ferida
E não entrava no amor que sonhava.

Ávida de amor te esperava,
Mas o espelho nos separava.

Acordei, tu estavas a meu lado
E tudo tinha sido um sonho vago.

Eu fui a heroína de uma peça
Representada por um Deus fechado.

O tempo que me foi dado
Não era o meu tempo.

No outro lado me olhavam
E esperavam...

No espelho não se escreveu nada!


Maria Luísa

sábado, 12 de maio de 2012

Patético

Tudo passa e se renova
Não há hora derradeira e final
Há apenas a mudança da vida
O passar de gerações.

Muda o cambiante das cores
E o vento traz uma canção diferente
E o mar fica gritante e dorido
Adivinha a mudança.

As formigas recolhem ao celeiro
Não as vemos
Caminhando nas pequenas estradas
Feitas por elas.

As cigarras deixam de cantar                                          
Não têm casa
Nem sonhos a realizar.

Tons dourados
Espelhados no mar
E uma canção dolente.

Se fala de amor
O mundo liberta-se da dor
E da amargura pungente.

E nada me pode agredir
E tudo é o Princípio
Não há Fim!...

Fechar os olhos
Sentir-te em mim
Perder-me na noite
Junto a ti.

Sonhar o nosso espaço
Pisando a terra
Olhando o chão
Clareando a vida.

O poeta chora
O poeta sorri
O poeta sofre
O poeta vive
O poeta é a pétala
Dos reflexos inúteis.

Mas esquece tudo
No abraço íntimo do amor
De um amor diferente.

Para que sobrevivas
Eu cairei antes de ti
No teu abismo.

Patético momento...

Maria Luísa

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Que me resta?...

Internet/ Salvador Dalí/ Meditação/1934
Quanta lembrança passada
Quanto tempo vivido sem nada.

Quanta alegria escutada
Quantos anseios e desejos de nada.

Quanta vaidade escondida
Quanta sombra dolorida.

Quanta ventura esperada
Quantos desejos frágeis e inúteis.

Quanta tragédia vivida
Quantos versos destruídos.

Quanta poesia cantada
E não lida, nem escutada.

Quanto tenho sido esquecida
Num mundo onde não fui acolhida.

Apenas me resta o amor
A indiferença de quem passa.

Meus olhos choram
Caudais de lágrimas interiores

E meu rio se esconde
Nem em mim acredita.

Que me resta?...


Maria luísa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tão diferente...

Tudo tão diferente
Do que conheço
Tudo tão diferente...

Atirei a rede ao mar
E minha rede trouxe
Outras coisas do mar.

Tudo tão diferente...

A lua veio espreitar
Eu olhei essa lua
Diferente da lua do meu lugar.

Uma lua maior
Se espraiou no ar
Pintada de laranja e vermelho.

Tão diferente...

Ela atirava um outro luar
Me mostrava outras estrelas
E pareciam as mesmas estrelas.

E não eram
As mesmas estrelas.

Que encanto!

Há outra lua
Outras estrelas
Outro lugar
E outro mar.

Eu não sabia,
Mas o poeta não pode
Parar de olhar.

Mas pode morrer
Longe do seu lar...


Maria Luísa

domingo, 15 de abril de 2012

Floresta Negra

Prometeste encontrar-te comigo
Num local negro e sem fim...

Eu cedi
Confiante em ti.

Havia nevoeiro cinza
E nuvens tocavam em mim.

Alguém se aproximava
Mas eu esperava por ti.

Figuras estranhas, perdidas
Se diluíam nas árvores extintas.

O silêncio era cortado
Com vidros na sombra vaga.

Nada me fazia temer
Eu era a estrela que esperava por ti.

Entre a nuvem, o negro e o mar
O caminho não era fácil de andar.

Nunca encontrei
Caminhos fáceis de andar...

A minha sombra caminhava devagar
Eu andava mais rápido para te encontrar.

Árvores se entrelaçavam
E me cortavam meus braços
Que esperavam te abraçar.

Eu caminhava nas pontes frágeis
Da minha poesia e não te via...

A dor me acompanhava
E se alimentava de mim.

E entrei na floresta extinta e vazia
E mergulhei nos pântanos de outra elegia

E nunca te alcancei...


Maria Luísa Adães

terça-feira, 3 de abril de 2012

E Regressei...

Internet
Um dia parti
E na minha pressa
Esqueci a razão da partida.

Desci ao escuro do mundo
Perdi a minha luz imutável
Estremeci e parei...

Caminhei por cima de tudo
Conheci amigos e antepassados
Que nunca tinha amado.

E deixei de estar presente
Tornei-me num ser ausente
De uma música interminável.

Olhei em frente e recordei
E regressei de uma maneira diferente
E chorei...

A porta se abriu e eu entrei
E depois de tanta dor
Voltei, olhei e te amei.

Tu estavas presente
As vozes caladas não se assombraram
Só eu as ouvia numa agonia.

As rosas do jardim floriam
Os clarões acendiam
Livres das lutas de cada dia.

Falei ao meu amor
Pedi mais amor
E muito mais...

Sensual e pálida voltei
Num desdobrar amplo e calmo
Aceitei e regressei.

A dor e os fantasmas
Da minha solidão
Fugiram de mim.

E amei!...


Maria Luísa Adães

p.s. dedico este poema a uma amiga :
http://lagatacoqueta.blogspot.com/